O jogo interior do parkour [retroceder]

Artigo que ensina a mentalidade certa com que se deve encarar o parkour, traduzido pelo staff de parkour.pt. Autorizado pelo traceur Blane em blane-parkour.blogspot.co

 


Autor: Blane

Publicado: Julho 2008

"o praticante do jogo interior atribui valor á arte da concentração relaxada. Acima de tudo, a outras capacidades... Ele aponta a um tipo de performance espontânea que ocorre apenas quando a mente está calma e parece estar em sintonia com o corpo, que por sua vez encontra maneiras de ultrapassar os seus limites, uma e outra vez... O praticante do jogo interior impõe uma vontade de vencer que desbloqueia a sua energia, e nunca é desencorajado na derrota".

Timothy Gallwey, Introduction to The Inner Game of Tennis.

 

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ARTIGO

Tive recentemente a oportunidade em França de ler um livro interessante chamado “The inner game of Tennis”. Apesar de nunca ter jogado ténis mais do que 2 ou 3 minutos em toda a minha vida, aprendi bastante sobre os aspectos mentais do desporto, pressão e o conceito de dupla noção (de sermos dois "eu") que previamente nunca tinha realizado. Este livro, combinado com outras lições aprendidas em Tours resultou numa mudança dramática na minha forma de abordar um novo salto, que tipicamente julgaria assustador. Quero partilhar essa abordagem neste artigo para ajudar outras pessoas a lidar com este tipo de medos, dúvidas e questões quando encaram um novo obstáculo.

No que toca a subjugar os nossos medos e dúvidas para com um novo obstáculo, todos temos uma maneira de lidar com o aumento da batida cardíaca, dilatação das pupilas, aumento da tensão nos músculos e respiração errática. Alguns tentam suster a respiração, outros fazem uma contagem decrescente desde 5, alguns fecham os olhos e outros gritam palavras tranquilizantes para eles próprios.
Mas, independentemente de quão única é a preparação para um salto novo, há alguma coisa que temos em comum no que toca a lidar com este medo. Uma batalha interna entre dois "eu" (vozes) invisíveis começa e esta é a razão pela qual sentimos tanto tumulto e conflito antes de um obstáculo novo.

Timothy Gallwey, Autor do Inner game of tennis, sugere que existem três tipos de jogadores de ténis, e acho que existem estes mesmos tipos de praticantes no parkour.

1) O excessivamente positivo, confiante, com auto-estima por causa do seu Jogo Superior

2) O que é excessivamente negativo, analisa constantemente o que está errado com ele e com o seu jogo.

3) O jogador do jogo interior, aquele que simplesmente desfruta e faz o que lhe parece sensato

1- Falemos da personagem excessivamente positiva no parkour, que acredita que as suas habilidades são superiores ás dos que o rodeiam, coloca-se a si próprio sob uma pressão incrível, porque a sua mente está repleta de pensamentos que concernem os outros, preocupa-se com o custo de falhar e do que pode parecer diante dos menos experientes caso falhe o salto. Teme ser julgado, que duvidem das suas capacidades, que se riam ou que falem dele nas costas. Precisamente quando é necessária concentração é que se torna mais difícil para ele devido a estes potenciais atentados ao ego, que o distraem.
Outra situação perigosa que este praticante provoca é subestimar um salto. Pensando que graças às suas habilidades superiores não necessita de prestar a sua total atenção ao salto.

2 - O personagem que pensa excessivamente negativo no parkour, encara um salto com dúvidas imediatas e uma destrutiva falta de confiança. Antes sequer de considerar saltar este já se está a lembrar da última vez que caiu ao tentar algo parecido. Preocupa-se com o quanto ele dormiu e divaga sobre a oportunidade que este salto dá para mudar o tipo de treino e melhorá-lo.
Quando finalmente olham para o salto, duvidam da capacidade de medir a distância correctamente pela experiência e vão medir os passos. Sentem-se fracos nas pernas, os braços começam a pesar e a ansiedade começa a aumentar. Ao contrário do que pensa excessivamente positivo, este tipo de praticante analisa tudo e subestima muitas vezes a sua habilidade de completar o salto.

3 - O praticante do jogo interno aborda cada salto novo com um novo olhar. Confia no treino e em experiências anteriores para o guiar durante o salto e não tem qualquer problema no que diz respeito á sua reputação, ego, os custos a longo prazo de falhar ou de conseguir dizer aos amigos que fez o salto, filmar para o próximo vídeo ou de ficar magoado e parado por um mês.
Não há negativismo nem positivismo, vivo o aqui, o agora e o desafio a concretizar. São realistas quanto às suas próprias capacidades e conseguem dar atenção adequada aos pontos-chave de um salto, sem ter de o analisar demasiadamente ao pormenor.

Caso te enquadres numa das duas primeiras categorias, existe uma boa hipótese de estares constantemente frustrado ou mesmo chateado enquanto treinas, temendo mais do que apenas um obstáculo. Com este artigo eu gostaria de ajudar qualquer pessoa que está presa nestas categorias a mudar de atitude.

A solução é simples quando se apercebe que o potencial problema existe porque há um conflito presente. Existem dois "EU" em funcionamento e apenas um desses pode ajudar a completar o salto.

EU 1 - "o narrador", responsável por comunicar á tua mente e corpo o que deve pensar e fazer, é esta voz interior que é utilizada para ajudar a atingir objectivos. Avisa do perigo e toma decisões. Este é o que o relembra do custo de falhar, concretizar, lesão, falhar o salto e conseguir o salto. Mas o EU 1 também tem questões de confiança e outro factor que esse EU controla é a forma como nos movemos. Inunda-nos a mente com frases do tipo "vê-la se dobras os joelhos", "mantém a mão aberta até ao ultimo movimento", "utiliza mais força neste salto" e frases do tipo "se falhar tenho de arranjar maneira de não me magoar", consegue dizer-nos "és um inútil, nunca vais chegar longe como traceur" e ainda "sou um espectáculo consigo fazer tudo hoje"

EU 2 – “o concretizador”, é responsável por fazer aquilo para que foi treinado para fazer. Não tem interesse no que se passa lá fora com os outros, nenhum conceito das questões que o EU 1 deixa apoderar. É a simples e pura acumulação de experiências passadas e treino. Infelizmente é raramente autorizado a opinar e a vir á superfície quando estamos em frente a um novo salto, sendo muitas vezes dominado pelo EU 1

Em crianças baseamo-nos exclusivamente no EU 2

Quando tivemos de aprender a andar o EU 1 nunca nos disse "fica equilibrado, mete um pé á frente do outro", "balança os braços, continua a respirar, mantém as costas direitas" e não tínhamos o Ego para nos avisar "se falhar as pessoas vão-se rir de mim, as outras crianças vão me menosprezar porque eu não consigo andar"
Em vez disso estávamos confiantes no EU 2 - simplesmente passávamos pela experiencia de outra pessoa, andava e tentava-se copiar e, provavelmente, falhava-se... Mas interiormente as lições eram aprendidas. Talvez se tiver caído para a esquerda, para a próxima, sem pensar, vamos nos inclinar mais para a direita. Com este simples processo de testar e avaliar os resultados sem ego, e decidir o que fazer para melhorar, aprendemos a andar. Se estás a ler isto, provavelmente és muito bom a andar graças ao EU 2.

Então quando é que deixámos de confiar nesta incrível ferramenta de aprendizagem?

Conforme crescemos, aprendemos lições de vergonha, embaraço e falhanço. O EU 1 começa a vir á superfície e afecta cada acção, não apenas no desporto mas em todas as áreas da nossa vida. Subitamente todas as acções da nossa vida têm uma cadeia de consequências e, baseado no resultado, classificamos o resultado como sendo bom, mau, positivo ou negativo, certo e errado.
Quando estávamos a aprender a andar não havia bom nem mau, simplesmente o que funcionava e não funcionava. Não se considerava falhar como sendo algo negativo, era simplesmente um processo natural da aprendizagem de como ficar de pé no futuro.

A solução passa então por encontrar maneira de lidar com as questões de confiança do EU 1 e dar ao EU 2 um pouco mais de crédito, porque foi ele afinal de contas que nos ensinou a andar. Não te esqueças no entanto que o EU 1 apesar de tudo é muito útil para nós, visto que possui a habilidade de estabelecer metas e objectivos, bem como novos desafios e de nos avisar do perigo. Por isso o ideal é o EU 1 estabelecer um objectivo realista e depois permitir ao EU 2 atingi-lo com plena confiança das suas capacidades. Quando ambos os "EU" funcionam em total harmonia o resultado é altamente compensador.

O que eu tenho treinado recentemente e tenho explicado às pessoas com quem treino é confiar mais no EU 2 quando encaramos um obstáculo novo. Para isso devem encontrar uma nova maneira de acalmar a mente, distrair o EU 1, e deixar o EU 2 tomar total controlo, tal como fez quando em criança. O EU 2 não precisa de se preocupar com distâncias, alturas e fornecer palavras e números como feedback. Simplesmente adapta-se ao obstáculo baseado em treinos anteriores e experiências. Nada de pensamentos específicos do balanço ou força necessária, velocidade ou técnicas - O EU 2 recebe o objectivo e faz o que é necessário para o atingir.

A maior parte das pessoas sentem pressão antes de um salto ou uma tensão. Estão a tentar forçar o salto mas esta não é a abordagem que eu recomendo, tem de pensar neste processo como um "libertar" em vez de um "forçar". Deixo corpo fazer o que ele já sabe fazer, se deixar cair uma bola do telhado e quiser que ela bata no chão, simplesmente o que tem de fazer é deixa-la ir. Não é empurra-la em direcção ao chão enquanto a mente faz contas e teorias.

Então como funciona o EU 2?

Funciona devido aos complexos métodos de aprendizagem através de experiência. Cada repetição, exercício e movimento passado ensinou-lhe algo que nenhum livro, palavra dita ou câmara de vídeo lhe pode ensinar. Fortaleceu caminhos entre o cérebro e o músculo e deu ao seu corpo experiencia e conhecimento com o qual vai poder executar movimentos semelhantes no futuro. É de longe mais fiável do que confiar no EU 1 porque o bem-estar do EU 2 não muda de acordo com o seu humor, preferências e opiniões de si próprio, quer ache que tenha algo a ganhar com o salto novo ou não. Basicamente, é imparcial e de confiança.

Obviamente é importante ter muita experiência prévia e treino para a ter confiança durante um novo salto. Por isso é que no treino, a progressão deve ser gradual e estável, vital para nos mantermos seguros e saudáveis.

A ideia de dois "EU" pode ser aplicada em tudo na vida, mas o outro grande propósito que tem em relação ao parkour é quando diz respeito a ensinar outros.

O EU 2 aprende com exemplos práticos, nunca nos disseram como andar, aprendemos com os adultos, tentámos copiá-los e apercebemo-nos que é a melhor maneira de nos deslocarmos. Servirmos de exemplo é a melhor maneira de ensinar parkour. Se tentar descrever o caminho ou como efectuar um determinado movimento a um aluno, usando apenas palavras, este vai tentar memorizar tudo e o mais provável é esquecer-se de algo e não conseguir perceber o movimento requerido.

Por outro lado se tentar demonstrar a um aluno como executar certo movimento. Enquanto estiver a fazê-lo eles vão apanhar melhor o movimento, processar milhares de informações sem pensar, vão observar a postura antes do salto, a ordem pela qual os seus membros passam, como aterra e para onde está a olhar em cada etapa. Podem depois não se lembrar de tudo mas é certamente mais produtivo do que se tivesse descrito tudo por palavras.

Após algumas demonstrações e observações, se o estudante desejar copiar a técnica, irão mostrar alguns traços semelhantes ao exemplo observado. Alguns traços podem ser incorrectos e podem faltar alguns, mas isto é natural uma vez que não se pode esperar que aprendam tudo de uma vez.

Cabe agora ao instrutor ser um EU 2 e não um instrutor EU 1, não nos foi dito para nos inclinarmos mais para um lado, quando tivemos de aprender a andar, isso era óbvio quando olhávamos para os adultos como exemplo. O instrutor não deve ser um narrador deve ser um concretizador.

Em vez de dizer ao aluno o que fazer "não movas os braços para esse lado, move para este lado" o aluno deve ser encorajado a "observa os meus braços e considera que a forma como eu os movo me ajuda no movimento".
Desta forma o aluno aprende a não se distrair com a técnica em geral. Se apontar que apenas os braços precisam de ser corrigidos eles irão focar-se de tal maneira nesse ponto que não vão pensar mais no resto do movimento em si. No entanto, se se integrar mais um elemento visual á experiencia, irão achar a aprendizagem muito mais fácil de integrar no movimento todo.

Isto também ajuda a eliminar o ego uma vez que não está a dizer ao aluno que está a fazer algo de errado ou mal. Simplesmente aconselhando a focar-se num certo ponto de um movimento, será mais fácil sincronizá-lo peça por peça.

Se perguntarem a alguns traceurs como é que fizeram determinado movimento, eles poderão responder, "Não sei. Fi-lo simplesmente". Não penses que ele está a dizer isso de forma rude ou que é má disposição. Provavelmente é verdade. Simplesmente deixaram-se levar no movimento e isso também tu deverás conseguir.

Joe, um amigo meu, estava recentemente com problemas em fazer um novo salto que estava dentro das suas capacidades. Ele estava a ficar frustrado com ele próprio e queria-se ir embora e deixar o salto para outro dia. Perguntei-lhe se ele tinha a certeza de abandonar a ideia e ele voltou, olhou para o obstáculo novamente e decidiu que tinha de ser hoje. Passou algum tempo a tirar medidas a olho e notava-se o EU 1 a vir ao de cima. Estava a ouvi-lo em demasia com a mente cheia de questões como onde colocar os braços, as pernas, o balanço a tomar, quanto é que tinha de rodar no ar. Apercebi-me que talvez fosse boa altura para lhe transmitir a lição que eu tinha aprendido e introduzi-lo no assunto.

Havia uns saltos semelhantes naquela zona que o Joe já tinha feito mas que eram mais simples, portanto o meu objectivo era mostrar-lhe a diferença no estado de espírito quando encarado a novos obstáculos.

Ao colocar-se em frente aos velhos obstáculos, e saltos que ele já tinha feito muitas vezes, o EU 2 estava claramente em controlo da situação. Não havia coisas a distrai-lo e a ocupar a mente. Simplesmente olhava para onde queria chegar e deixava o EU 2 mostrar-lhe o caminho. Confiara no seu treino e considerável número de repetições.

Imediatamente após isto voltou para o novo obstáculo, mas a mente voltara a trai-lo, estava novamente a questionar-se sobre o balanço a tomar, onde pôr as pernas e os braços, e tinha muitas outras distracções na cabeça.

Pedi-lhe que me observasse a fazer o novo salto algumas vezes mas pedi-lhe também que não prestasse tanta atenção aos pormenores, simplesmente que observasse o movimento em geral. Não lhe disse como fazer. Apenas mostrei-lhe como podia ser feito.

O Joe começou a sentir muito mais confiança e notou como ele próprio mudava de humor perante cada obstáculo. Estava a tornar-se óbvio para ele qual era o problema. Simplesmente precisava de calar o EU 1 e conseguiu fazê-lo com apenas um pedaço de cartão. Eu segurei num pedaço de cartão nas áreas onde ele tinha de aterrar nos obstáculos antigos. Retirava o cartão antes de ele aterrar e dizia-lhe constantemente para não pensar. Simplesmente para fazer o necessário para chegar ao cartão. Sempre que o Joe aterrava, fazia-o mesmo no local onde eu tinha posto o cartão momentos antes. Depois disso e ao conseguir calar por completo o EU 1 ele fez o novo salto com facilidade. Estava tudo perfeito, onde colocou as pernas, os braços, a posição no ar, o balanço que tinha de tomar. O cartão não era importante, foi simplesmente uma maneira de calar o EU 1. Muitos outros métodos podem ser usados para chegar fazer isso, mas este em particular foi o que serviu ao Joe. Confessou-me que a diferença tinha consistido em não sobreavaliar tudo e que tinha deixado de pensar nos específicos, era só deixar o corpo ir para onde ele queria ir.

De notar que ele não se tinha lançado descuidadamente, ele já tinha feito os cálculos necessários e tinha as medidas bem tiradas, achou que podia fazer o salto com segurança. Mas este método tinha apenas sido uma forma diferente de o fazer.

Poderá experimentar diferentes formas de distrair o EU 1 e gradualmente irá descobrir como o EU 2 pode ser poderoso e de confiança. Ter instinto e "sentir" um novo salto, é basear-se na experiência. Pelo que deverá saber de imediato se consegue fazer um salto novo ou não, se decidir que é tempo e consegue fazê-lo então está na altura de mudar de pensamento e deixar o corpo mandar.

Outra ferramenta muito útil para combater uma mente ofuscada é convencer-se a si próprio de que na verdade este salto não é novo, já o fizeste antes provavelmente. Se já fizeste saltos semelhantes anteriormente deverás saber que eles foram assustadores na primeira tentativa e muito mais controlados na segunda tentativa. A confiança vem de uma simples mudança no pensamento, e ao convencer-se de que realmente isto não é a primeira vez que fazes um salto deste tipo, que é apenas mais uma repetição, então o salto novo será muito mais fácil. Não estarás a ser demasiado confiante, estarás simplesmente a usar este método para distrair o EU 1 e a enganá-lo para que se possa deixar ir.

É necessário dizer que é preciso um certo bom senso e sensibilidade para se poder experimentar esta nova forma de pensar. Não tentes eliminar o EU 1 de uma vez por todas porque este é importante para manter o respeito e manter-nos seguros, irá lembrar-nos dos potenciais perigos do novo salto.
É a voz da experiência, mas não é a experiência em si.

O melhor é ouvir o EU 1 para decidir quando é que chegou a altura de fazer o salto e se achar que é tempo, definir um objectivo concreto e visualizar onde se quer chegar o mais claramente possível, depois deixa o EU 2 tomar conta e atinge o objectivo sem interferência.

Ter mestria nesta habilidade e ser capaz de mudar o pensamento em qualquer ponto, vai beneficiar-te na tua progressão e, embora eu ainda não consiga dominar-me totalmente, tenho trabalhado imenso nesta disciplina e as diferenças são enormes. Nos momentos onde deixei o EU 2 tomar conta por completo estive muito mais atento e com enorme noção de cada décima de segundo ao longo da técnica e isso permite-me ajustar de acordo com o necessário a cada variação de um movimento, como se o tempo parasse brevemente ou abrandasse... Claro que não tinha parado mas tudo se deve à concentração e a estar focado, com a mente limpa.

Então, quem quer jogar ao jogo interior?

Blane.

Um enorme agradecimento ao Tim Gallwey e ao seu livro, The Inner Game of Tennis e a Thomas Des Bois por me abrir a mente a estes conceitos e ideias.
Credito também a Platão o filósofo que explorou a ideia da alma tripartida há mais de dois milénios.


Tradução por parkour.pt staff.
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